Estou há cinco dias em um quarto de hospital, acompanhando meu filho. Apesar de ter sido internado na uti, o quadro dele nunca esteve grave, mas demandou bastante atenção da equipe médica por ser muito pequeno e por seu histórico de cirurgia logo que nasceu.
Em nenhum momento fiquei angustiada por ele estar aqui, pelo contrário, fiquei aliviada. Os três dias em casa que antecederam a internação, estes sim foram angustiantes. Me senti impotente diante do meu Pequeno cheio de secreção, sem conseguir por para fora, engasgando, ficando sem ar e cada vez mais amuado.
Mas, confesso que fiquei com medo de surtar neste quarto! Fico praticamente 24 horas aqui. Pouco ando. Pouco vejo pessoas. Estou vivendo uma imersão de Discovery Kids. Vejo o céu através de uma tela na janela. Mas vejo sempre a mesma paisagem. Minhas pernas incharam, minha barriga inchou (resquícios da cesárea), e estou constantemente com uma tontura chata. Pouco durmo.
Este é o cenário ideal para a energia migrar do corpo, que fica bobo, mole e preguiçoso, para a mente, que fica inquieta e agitada. E hoje, senti o pico disto! Por isso, deixei meu Pequeno sob os cuidados das enfermeiras e saí para caminhar! Aqui perto do hospital tem uma pracinha com uma banca de jornal e outra de fruta. Comprei uma revista, uma água de côco e me sentei em uma mesinha para tentar reorganizar a minha energia e resgatar um pouco de sanidade!
Eu estava tão isolada do mundo que fui para este passeio sem agasalho, com uma camiseta bem fresquinha e, sentada ao lado de um termômetro bem grande marcando 19º, tomei uma água de côco bem gelada, enquanto lia a minha revista! A garganta sofreu um pouco, mas espaireci os pensamentos, oxigenei alguns músculos e redistribui o sangue que estava nos pés e pernas para o resto do corpo!
Estou ficando boa para me perceber e para bolar estratégias para me sentir melhor. Às vezes, demora um pouco para colocá-las em prática, mas só o fato de uma hora reagir já é muito bom!
Acho que tenho conseguido isso pois finalmente tenho pensado com mais calma sobre a minha vida e tenho me dado tempo para tomar decisões. Estou menos ansiosa. Talvez seja resultado do que tenho aprendido com meu marido e com a maternidade. E isto ficou bem evidente aqui no hospital.
Inclusive, alguns pensamentos ficaram passando repetidas vezes na minha cabeça: o que será do meu mestrado agora que meu professor faleceu? Não imagino ninguém à altura dele para ser meu orientador. Não estou certa de que conseguiria desenvolver o artigo sem a sua ajuda. Nem sei se realmente quero acabar o mestrado, pois antes dele falecer tinha certo que só acabaria pois não queria desapontá-lo. Mas consegui deixá-los de lado e simplesmente não decidir nada. Estou muito feliz por ter conseguido a serenidade para tomar esta atitude em meio a uma situação propícia para surtar, mas bem que tudo isto podia ter acontecido sem meu Pequeno no hospital. Fazer o quê? Este é o pacote "vida com emoção" que o Pedro me deu!
Ps: a emoção deve acabar entre amanha e domingo. Segundo o médico, é o que falta para ele ter alta!
sábado, 14 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Aqui vou eu, mais uma vez, com os sentimentos e sensações loucas de mãe, de mulher, de bipolar, ou de todas elas juntas.
Já estou na correria em médico com o Pedro desde sexta. Fomos ao pronto socorro sexta, domingo e segunda, quando internaram. Em casa, fiquei bem preocupada com ele. Tremia quando percebia que ele estava engasgando com a secreção e ficando sem ar. Aqui no hospital, tem sido um pouco diferente.
A primeira sensação "estranha" que tive foi de que ele esta bravo comigo. Faz tempo que ele não sorri. Ele não responde muito quando falo ou brinco com ele. Fica serio constantemente. Sei que é normal esta atitude em um bebê doente. Quer dizer, em qualquer pessoa de qualquer idade que esteja doente. Mas uma parte do meu cérebro não processa esta informação e eu fico nesta de achar que ele esta de mal, daí fico meio distante dele, quase como se tivesse medo de ele brigar comigo. Doideira!
Em consequência deste sentimento, prefiro não pegar ele no colo. Quando pego para tentar acalma-lo, é um desastre. Não adianta nada. Fico fazendo cafuné, converso com ele, balanço, mas nada funciona. Óbvio que fico ainda mais tristinha.
As enfermeiras aqui são bem atenciosas. Sempre estão de olho nele, mas fico com a sensação de que elas me acham folgada porque não faço as coisas que elas fazem. Hum, tipo: segurar a inalação, trocar a fralda, dar banho. Ok, tudo isto é fácil de fazer, e eu poderia fazer, mas, tentando aliviar para o meu lado, eu preciso evitar contato com ele porque eu ainda estou também com o vírus Sincicial; a troca de fralda é feita usando um quadradinho que tem um tipo de lubrificante e depois uma pomada de tratamento, e a fralda é pesada para acompanhar as evacuações e micções e, por fim, para dar banho é preciso remover todos os fios, elevar a banheira até próximo do oxigênio. Justifico?
Mas sabe que estou pensando aqui que se eu usasse direitinho a mascara e as luvas seria bom voltar a cuidar dele. Me sinto mal e me sinto uma mãe desqualificada no momento. Sei que uma hora passa...
Pra variar, tomei o lamitor de dois em dois dias no final da semana passada e começa desta. Isso ajuda a atrapalhar bastante, né?!
E para finalizar, me sinto um tanto culpada de querer descansar enquanto estou aqui. Domingo, depois que tirei a maquiagem, perguntei para o meu marido se tinha saído tudo. Ele disse que ainda estava preto embaixo do olho. Quando vi no espelho, eram apenas duas enormes olheiras.
Tenho perdão?
Pedrinho, te amo muito apesar de ser mulher, mãe e bipolar!
Ps: alguma coisa após a noite deste post me fez mudar um pouco! Às 2 da manhã acordei com o Pequeno tossindo. Fiquei chateada e pensei comigo: "Chega!". Tirei leite às 3am. Fiz inalação nele de madrugada (a enfermeira colocou a mascara nele com o elástico na cabeça. Ela deu as costas a mascara já estava na orelha dele e o elástico por cima dos olhos...), fiquei com ele no colo, ajudei no banho e agora também fiz inalação! Estou achando ele mais animadinho. Hoje, o médico vão avaliar se ele pode voltar para o peito! Daí animamos geral!!!
Já estou na correria em médico com o Pedro desde sexta. Fomos ao pronto socorro sexta, domingo e segunda, quando internaram. Em casa, fiquei bem preocupada com ele. Tremia quando percebia que ele estava engasgando com a secreção e ficando sem ar. Aqui no hospital, tem sido um pouco diferente.
A primeira sensação "estranha" que tive foi de que ele esta bravo comigo. Faz tempo que ele não sorri. Ele não responde muito quando falo ou brinco com ele. Fica serio constantemente. Sei que é normal esta atitude em um bebê doente. Quer dizer, em qualquer pessoa de qualquer idade que esteja doente. Mas uma parte do meu cérebro não processa esta informação e eu fico nesta de achar que ele esta de mal, daí fico meio distante dele, quase como se tivesse medo de ele brigar comigo. Doideira!
Em consequência deste sentimento, prefiro não pegar ele no colo. Quando pego para tentar acalma-lo, é um desastre. Não adianta nada. Fico fazendo cafuné, converso com ele, balanço, mas nada funciona. Óbvio que fico ainda mais tristinha.
As enfermeiras aqui são bem atenciosas. Sempre estão de olho nele, mas fico com a sensação de que elas me acham folgada porque não faço as coisas que elas fazem. Hum, tipo: segurar a inalação, trocar a fralda, dar banho. Ok, tudo isto é fácil de fazer, e eu poderia fazer, mas, tentando aliviar para o meu lado, eu preciso evitar contato com ele porque eu ainda estou também com o vírus Sincicial; a troca de fralda é feita usando um quadradinho que tem um tipo de lubrificante e depois uma pomada de tratamento, e a fralda é pesada para acompanhar as evacuações e micções e, por fim, para dar banho é preciso remover todos os fios, elevar a banheira até próximo do oxigênio. Justifico?
Mas sabe que estou pensando aqui que se eu usasse direitinho a mascara e as luvas seria bom voltar a cuidar dele. Me sinto mal e me sinto uma mãe desqualificada no momento. Sei que uma hora passa...
Pra variar, tomei o lamitor de dois em dois dias no final da semana passada e começa desta. Isso ajuda a atrapalhar bastante, né?!
E para finalizar, me sinto um tanto culpada de querer descansar enquanto estou aqui. Domingo, depois que tirei a maquiagem, perguntei para o meu marido se tinha saído tudo. Ele disse que ainda estava preto embaixo do olho. Quando vi no espelho, eram apenas duas enormes olheiras.
Tenho perdão?
Pedrinho, te amo muito apesar de ser mulher, mãe e bipolar!
Ps: alguma coisa após a noite deste post me fez mudar um pouco! Às 2 da manhã acordei com o Pequeno tossindo. Fiquei chateada e pensei comigo: "Chega!". Tirei leite às 3am. Fiz inalação nele de madrugada (a enfermeira colocou a mascara nele com o elástico na cabeça. Ela deu as costas a mascara já estava na orelha dele e o elástico por cima dos olhos...), fiquei com ele no colo, ajudei no banho e agora também fiz inalação! Estou achando ele mais animadinho. Hoje, o médico vão avaliar se ele pode voltar para o peito! Daí animamos geral!!!
terça-feira, 10 de maio de 2011
Meu "quase" feliz primeiro dia das mães
Já saquei que a minha história com o Pedro tem seguido um padrão de "muita emoção"! Desde a gravidez até o nascimento e primeiros dias de vida ele não tem deixado a minha vida ser rotineira! Por que então eu iria imaginar que o meu primeiro dia das mães seria diferente?
Na quarta feira que antecedeu o dia das mães, o pequeno começou a tossir diferente (ele tem uma tosse por causa da atresia de esôfago). Esta tosse estava com cara de gripe. Na noite de quinta para sexta a tosse aumentou. Sexta ele já tinha consulta com a pediatra.
Na consulta, a tosse já estava mais forte e já dava para ouvir um chiado de secreção, não no pulmão, mas na garganta e nariz. A pediatra receitou a inalação e ao chegar em casa eu e meu marido fizemos a "fumacinha" do Pedro! Aí o susto começou. Ele passou a tossir mais, soltar secreção e a engasgar e ficar sem respirar. Encurtando a história, na mesma noite, no domingo de dia das mães e na segunda, estivemos no pronto-socorro.
Na última visita ao pronto-socorro, o Pedrinho já estava com febre e pior, mesmo tomando os remédios e inalação desde sexta. Então, ficamos no hospital, e aqui estamos até o momento.
O vírus da bronquiolite está no pico do seu ciclo hoje. Estamos na semi uti. Ele está bem cansadinho, por isso estou novamente na rotina de banco de leite para alimentá-lo pela sondinha. Eu estou no pico do cansaço, mas, apesar de todo estresse de maio, estou bem.
Não sei se quando a poeira baixar eu vou surtar ou deprimir geral. Por enquanto, estou em paz, com fé que Deus está cuidando do pulmãozinho do Pedro e da minha cabeça!!! Pelo menos, o lado bom de estar aqui no hospital é que fico mais calma e até consigo descansar mais, já que a equipe de enfermagem cuida de tudo.

Uma fotinho dele bonzinho com sono na hora de me levar para a GV!
Na quarta feira que antecedeu o dia das mães, o pequeno começou a tossir diferente (ele tem uma tosse por causa da atresia de esôfago). Esta tosse estava com cara de gripe. Na noite de quinta para sexta a tosse aumentou. Sexta ele já tinha consulta com a pediatra.
Na consulta, a tosse já estava mais forte e já dava para ouvir um chiado de secreção, não no pulmão, mas na garganta e nariz. A pediatra receitou a inalação e ao chegar em casa eu e meu marido fizemos a "fumacinha" do Pedro! Aí o susto começou. Ele passou a tossir mais, soltar secreção e a engasgar e ficar sem respirar. Encurtando a história, na mesma noite, no domingo de dia das mães e na segunda, estivemos no pronto-socorro.
Na última visita ao pronto-socorro, o Pedrinho já estava com febre e pior, mesmo tomando os remédios e inalação desde sexta. Então, ficamos no hospital, e aqui estamos até o momento.
O vírus da bronquiolite está no pico do seu ciclo hoje. Estamos na semi uti. Ele está bem cansadinho, por isso estou novamente na rotina de banco de leite para alimentá-lo pela sondinha. Eu estou no pico do cansaço, mas, apesar de todo estresse de maio, estou bem.
Não sei se quando a poeira baixar eu vou surtar ou deprimir geral. Por enquanto, estou em paz, com fé que Deus está cuidando do pulmãozinho do Pedro e da minha cabeça!!! Pelo menos, o lado bom de estar aqui no hospital é que fico mais calma e até consigo descansar mais, já que a equipe de enfermagem cuida de tudo.

Uma fotinho dele bonzinho com sono na hora de me levar para a GV!
domingo, 8 de maio de 2011
Homenagem ao meu professor
Em 2000, iniciei a graduação em fisioterapia. Neste ano, um amigo de infância, Danilo, faleceu em um acidente. Ele estava cursando biologia e trabalhava com muita paixão com pesquisa na área de botânica. Na última vez que o vi, conversamos sobre isso. Em agosto, pouco depois de sua morte, procurei na faculdade algum laboratório para desenvolver pesquisa científica. A paixão com que este amigo me falou sobre pesquisa me contagiou. Foi aí que conheci o professor Cláudio Toledo.
Na UNICID, na época, existia apenas um laboratório onde eu poderia estagiar, o de neurociências. Fui até este laboratório conversar com o professor. Achei que teria uma entrevista, seria analisada, sei lá! Mas pelo contrário, o professor só quis saber minhas motivações e disse que para trabalhar com pesquisa era preciso "suor e sangue"! Me interessei!
Logo de cara, o professor me confiou um projeto novo do laboratório, sobre Urocortina. Fiquei animadíssima! Todos os intervalos e janelas de aula que eu tinha, eu estava no laboratório. Abrir aquela porta, ouvir o sino de vento tocar e sentir o cheiro que o lab sempre tem, me faziam sentir em casa!
Dois meses depois do começo da minha história com as ciências, ganhei a chave do lab! Pode parecer banal, mas foi um dia marcante! Lembro direitinho a cena do professor me chamando, "Cavani!", como ele sempre fazia, segurando uma correia de crachá amarela com uma chave na ponta. Foi emocionante!
Minhas pesquisas sempre deram certo! O professor sempre dizia que eu tinha o que um pesquisador precisava ter: sorte! E, eu respondia que não era sorte,era Deus que gostava de mim!
Ri bastante na sala do chefe (como também era chamado), mas também chorei bastante. Descobri que era bipolar na época do lab. Fui chorar com o professor. Tive várias idas e vindas ao lab. Sempre chorando na partida. Já prometi que nunca voltaria e chorei uns três dias por isto. Já voltei muito e sempre fui recebida com um grande sorriso e um "Bem-vinda, Cavani!".
Temia mais as broncas do chefe do que as dos meus pais. Elas eram silenciosas apenas com um olhar por cima das lentes dos óculos. Se ele falava, era apenas um "Cavani! Hum...". E isto já me tirava o chão e eu morria de vergonha e remorso por ter desapontado o professor.
Vive uma história de amor e ódio com o lab por 10 anos. Muito mais amor do que ódio, mas tivemos fases ruins. Mas sempre recebi o suporte do professor. O abraço, o incentivo. Ah! Vou sentir muita falta deste incentivo! Ele foi o mais importante da minha vida. O professor sempre acreditou em mim, mesmo no meio das minhas crises. Ele sempre confiou que eu podia mais.
Com ele, publiquei um artigo ainda na iniciação científica. Com ele, tive bolsa da Fapesp. Com ele, conseguiria bolsa para o mestrado, mas fiquei sabendo apenas quando contei para ele que estava saindo do lab para trabalhar com fisioterapia do trabalho. Fiquei muito brava com ele. Mas ele disse que não queria que isto influenciasse as minhas decisões. Sábio!
Vou sentir saudades desta pessoa maravilhosa que mudou a minha vida, em vida. Ainda é estranho e totalmente absurdo pensar que ele morreu. Pensar que não vou mais ouvi-lo falar "Cavani!", quando eu entrar no lab. Mas talvez, um pequeno consolo que tenho é o que o meu marido falou quando soube que o Cláudio foi embora: "Deus leva os bons, antes que lhes sobrevenha o mal."
Vai em paz, que a família seja consolada todos os dias, que os amigos nutram as saudades com os bons momentos e que um dia, possamos nos reencontrar e que eu possa ouvi-lo dizer "Bem-vinda, Cavani!"
De sua sempre aluna, Cavani.
Na UNICID, na época, existia apenas um laboratório onde eu poderia estagiar, o de neurociências. Fui até este laboratório conversar com o professor. Achei que teria uma entrevista, seria analisada, sei lá! Mas pelo contrário, o professor só quis saber minhas motivações e disse que para trabalhar com pesquisa era preciso "suor e sangue"! Me interessei!
Logo de cara, o professor me confiou um projeto novo do laboratório, sobre Urocortina. Fiquei animadíssima! Todos os intervalos e janelas de aula que eu tinha, eu estava no laboratório. Abrir aquela porta, ouvir o sino de vento tocar e sentir o cheiro que o lab sempre tem, me faziam sentir em casa!
Dois meses depois do começo da minha história com as ciências, ganhei a chave do lab! Pode parecer banal, mas foi um dia marcante! Lembro direitinho a cena do professor me chamando, "Cavani!", como ele sempre fazia, segurando uma correia de crachá amarela com uma chave na ponta. Foi emocionante!
Minhas pesquisas sempre deram certo! O professor sempre dizia que eu tinha o que um pesquisador precisava ter: sorte! E, eu respondia que não era sorte,era Deus que gostava de mim!
Ri bastante na sala do chefe (como também era chamado), mas também chorei bastante. Descobri que era bipolar na época do lab. Fui chorar com o professor. Tive várias idas e vindas ao lab. Sempre chorando na partida. Já prometi que nunca voltaria e chorei uns três dias por isto. Já voltei muito e sempre fui recebida com um grande sorriso e um "Bem-vinda, Cavani!".
Temia mais as broncas do chefe do que as dos meus pais. Elas eram silenciosas apenas com um olhar por cima das lentes dos óculos. Se ele falava, era apenas um "Cavani! Hum...". E isto já me tirava o chão e eu morria de vergonha e remorso por ter desapontado o professor.
Vive uma história de amor e ódio com o lab por 10 anos. Muito mais amor do que ódio, mas tivemos fases ruins. Mas sempre recebi o suporte do professor. O abraço, o incentivo. Ah! Vou sentir muita falta deste incentivo! Ele foi o mais importante da minha vida. O professor sempre acreditou em mim, mesmo no meio das minhas crises. Ele sempre confiou que eu podia mais.
Com ele, publiquei um artigo ainda na iniciação científica. Com ele, tive bolsa da Fapesp. Com ele, conseguiria bolsa para o mestrado, mas fiquei sabendo apenas quando contei para ele que estava saindo do lab para trabalhar com fisioterapia do trabalho. Fiquei muito brava com ele. Mas ele disse que não queria que isto influenciasse as minhas decisões. Sábio!
Vou sentir saudades desta pessoa maravilhosa que mudou a minha vida, em vida. Ainda é estranho e totalmente absurdo pensar que ele morreu. Pensar que não vou mais ouvi-lo falar "Cavani!", quando eu entrar no lab. Mas talvez, um pequeno consolo que tenho é o que o meu marido falou quando soube que o Cláudio foi embora: "Deus leva os bons, antes que lhes sobrevenha o mal."
Vai em paz, que a família seja consolada todos os dias, que os amigos nutram as saudades com os bons momentos e que um dia, possamos nos reencontrar e que eu possa ouvi-lo dizer "Bem-vinda, Cavani!"
De sua sempre aluna, Cavani.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Melhorando meu tempo
Há quase duas semanas escrevi sobre a minha angústia de querer fazer tudo, de ter que fazer tudo. Acho que alguma coisas mudou, de leve. Estou dormindo com pia na louça sem peso na consciência (aff!), estou pedindo mais ajuda ao marido e quando posso dormir mais cedo, durmo mesmo, sem dó nem piedade. Não me peça nada nesta hora pois tenho respeitado muuuito o meu cansaço.
Tempo para faxinar
Já é um bom começo, não? Mas continuo sem faxineira. Pelo menos, estou levando as roupas para passar em uma lavanderia, e tem valido muito a pena. A faxina sobrou pra mim. Apesar de cansativo, consigo limpar tudo em umas 3 horas (limpeza básica) e com umas 5 horinhas, faço a limpeza mais completa. Este tempo inclui as mamadas do Pedro, os eventuais choros, as broncas no cachorro e eventos similares!!!
Tempo para não fazer mais coisas
Para aliviar mais um pouquinho, há uns 15 dias resolvi a questão da falta de tempo para fazer o curso on line sobre comércio exterior. Claro que não arranjei mais tempo, mas consegui mudar para a turma de agosto/2011. Pelo menos, imagino que nesta época eu estarei mais "tranquila". Isto me custou uns dois emails, 20,00 de taxa e um fax. E em contrapartida mudou meu saldo de tempo de negativo para zero, o que já é grande coisa!
Tempo que é melhor sendo outro
Além disso, percebi sem querer que passar o banho do pequeno para a noite fazia minha manhã ter umas duas horas a mais (era óbvio?!)! Além de ter o pai em casa, que me ajuda com coisas simples como segurar o Pedro enquanto preparo o banho, acabo fazendo o "ritual para dormir", que nunca consegui fazer! Até eu fico mais relaxada depois de dar banho no pequeno! Aí o saldo de tempo passa de zero para positivo! Oba!
Tempo na medida
Sabe que foi bem estranho ter mais tempo de manhã?! Até parece que tem algo errado, ou que eu estou esquecendo de fazer alguma coisa. Não está sobrando tanto tempo assim, mas só de fazer as coisas com mais calma, já dá uma paz!!!
Tempo para mim
No feriado que foi o céu! Viajei com meus pais e um casal de amigos, além do Pedro e o J. Pude tomar um pouco de sol, estudar e dormir mais. O que quatro colos a mais não fazem por uma mãe cansada?! Mas, como estes colos não são para sempre, vou me ajeitando com o que tenho.
Tempo para o Pedro
E por falar em dormir, o Pedro, que estava dormindo a noite toda, voltou mais uma vez a acordar de madrugada para mamar. O mais curioso é que de quinta para sexta e de sexta para sábado ele não acorda. Faço o curso de sexta e sábado, o dia inteiro e uma boa noite de sono é fundamental. Menino esperto! Apesar de eu acordar brava com a situação, logo passa, dou de mamar amando meu filho e volto a dormir!
Tempo, tempo, tempo!
Não vou nem falar muito mais sobre o tempo que está "sobrando", porque vai que alguém vê a oportundiade e rouba, né?! rs
ps: Em tempo, para os sem tempo: Para você, mãe ou pai que não tem tempo e tem culpa, leiam esta matéria e libertem-se!!!
Tempo para faxinar
Já é um bom começo, não? Mas continuo sem faxineira. Pelo menos, estou levando as roupas para passar em uma lavanderia, e tem valido muito a pena. A faxina sobrou pra mim. Apesar de cansativo, consigo limpar tudo em umas 3 horas (limpeza básica) e com umas 5 horinhas, faço a limpeza mais completa. Este tempo inclui as mamadas do Pedro, os eventuais choros, as broncas no cachorro e eventos similares!!!
Tempo para não fazer mais coisas
Para aliviar mais um pouquinho, há uns 15 dias resolvi a questão da falta de tempo para fazer o curso on line sobre comércio exterior. Claro que não arranjei mais tempo, mas consegui mudar para a turma de agosto/2011. Pelo menos, imagino que nesta época eu estarei mais "tranquila". Isto me custou uns dois emails, 20,00 de taxa e um fax. E em contrapartida mudou meu saldo de tempo de negativo para zero, o que já é grande coisa!
Tempo que é melhor sendo outro
Além disso, percebi sem querer que passar o banho do pequeno para a noite fazia minha manhã ter umas duas horas a mais (era óbvio?!)! Além de ter o pai em casa, que me ajuda com coisas simples como segurar o Pedro enquanto preparo o banho, acabo fazendo o "ritual para dormir", que nunca consegui fazer! Até eu fico mais relaxada depois de dar banho no pequeno! Aí o saldo de tempo passa de zero para positivo! Oba!
Tempo na medida
Sabe que foi bem estranho ter mais tempo de manhã?! Até parece que tem algo errado, ou que eu estou esquecendo de fazer alguma coisa. Não está sobrando tanto tempo assim, mas só de fazer as coisas com mais calma, já dá uma paz!!!
Tempo para mim
No feriado que foi o céu! Viajei com meus pais e um casal de amigos, além do Pedro e o J. Pude tomar um pouco de sol, estudar e dormir mais. O que quatro colos a mais não fazem por uma mãe cansada?! Mas, como estes colos não são para sempre, vou me ajeitando com o que tenho.
Tempo para o Pedro
E por falar em dormir, o Pedro, que estava dormindo a noite toda, voltou mais uma vez a acordar de madrugada para mamar. O mais curioso é que de quinta para sexta e de sexta para sábado ele não acorda. Faço o curso de sexta e sábado, o dia inteiro e uma boa noite de sono é fundamental. Menino esperto! Apesar de eu acordar brava com a situação, logo passa, dou de mamar amando meu filho e volto a dormir!
Tempo, tempo, tempo!
Não vou nem falar muito mais sobre o tempo que está "sobrando", porque vai que alguém vê a oportundiade e rouba, né?! rs
ps: Em tempo, para os sem tempo: Para você, mãe ou pai que não tem tempo e tem culpa, leiam esta matéria e libertem-se!!!
terça-feira, 12 de abril de 2011
Tudo eu
"Eu consigo!", "eu dou um jeito", "tudo bem", tem sido expressões presentes no meu vocabulário que são a principal razão de eu querer parar o mundo por um mês para tentar me recuperar!
Fiquei sem faxineira (esta não sabia passar pano no chão e se metia muito na minha vida) e decidi ficar assim mesmo. "Eu consigo" limpar a casa! Afinal, o apartamento é pequeno e eu posso muito bem limpar um pouco por vez, durante a semana. (Não sei se alguém viu uma entrevista da Oprah com um casal que teve 6 filhos, resultado de uma inseminação. Na entrevista a Oprah demonstra surpresa ao ver a casa da família bem limpa e arrumada, e, para minha surpresa a mãe responde que ela cuida da casa sozinha, o segredo é a organização). Absurdos à parte, pensei mesmo que conseguiria organizar os meus dias para sobreviver sem caos. Mas o serviço de casa está virando uma bola de neve. No começo desta semana, tive que lavar muita roupa para achar o tanque que eu lembrava existir na lavanderia! Ainda nesta semana, preciso desfazer o cenário de velho oeste que está no meu quarto e banheiro, com aqueles tufos de cabelo e afins, rolando de um lado para o outro!
Comecei nem me lembro quando um curso sobre comércio exterior pelo Senac, à distância. Estava preocupada em não ter o que fazer com o Pedro em casa (fiquei com uma tremenda vontade de me dar um chacoalhão e talvez um tapa na cara agora!). Pode soar ridículo hoje, mas realmente pensei em fazer o curso para aprender e me ocupar (que raiva de mim!!!). Óbvio que o curso já está no módulo 8, o último, e eu emperrada no módulo 3. O pior: o curso tem data para acabar, e está próxima. Lá vai outro pensamento de uma mãe totalmente inexperiente: como não teria tempo de estudar? Enquanto o Pedro dorme, eu aproveito e vou para o computador fazer meu curso! Só me esqueci de alguns pequenos detalhes, que com eles a frase correta fica assim: "Enquanto o Pedro dorme, quando dorme, eu tomo banho, escovo os dentes, faço xixi, lavo roupa, lavo louça, passo pano, limpo banheiro, como, arrumo a cama, passo as roupinhas dele etc".
Para melhorar ainda mais esta tragicomédia tive crise renal e o Pedro precisou passar por uma endoscopia com dilatação por causa da cirurgia. Isto resultou em uma semana de muita cólica, dor e preocupação. Pelo menos, a endoscopia dele já passou. Foi feita hoje e foi tudo bem. Ele estava engasgando muito, resultado de um estreitamento no esôfago onde foi feita a "emenda". A dilatação durante o exame foi feita com sucesso. Agora, sai a preocupação, ficam a cólica e a dor. Amanhã, é a minha vez de fazer um exame. A tomografia vai mostrar onde estão as minhas pedrinhas e vai ajudar o médico a decidir se eu terei um dia de folga (internada para quebrar as pedras) ou não!
Para não ser injusta e dizer que a minha vida está uma loucura, durante dois dias na semana fujo de todo esse estresse. De sexta e sábado fico o dia inteiro na FGV tendo aula. O Pedro fica com meus pais de sexta e com meu marido aos sábados. E eu, fico longe dos problemas da casa e da constante demanda do Pedro. É bom, mas no final, chego em casa e tudo está lá me esperando: o chão, as roupas, a pia, os banheiros...nada muda.
Para terminar, as minhas noites que estavam finalmente sem interrupções, voltaram atrás. O Pedro tornou a acordar de madrugada. Nem estresso mais. Acordo, sorrio, dou de mamar e volto a dormir. Assim até parece que a noite fica mais cumprida e tenho mais tempo para fingir que não tenho nada o que fazer, além de dormir, enquanto ele dorme, e dar de mamar! E o pior é que tem muita gente por aí que pensa que ser mãe é "só" isso.
Vou aproveitar que o Pedro e o marido dormem para tomar um banho e depois ordenhar, porque até o peito está de complô contra mim. Quando o Pedro dorme à noite e eu posso descansar, ele enche e não tem quem aguente dormir com um peito duro feito pedra!
Boa noite! Bons sonhos!!!
domingo, 3 de abril de 2011
Promessas de ano novo em abril
Hoje foi o primeiro dia pós-Pedro que fui ao shopping. Oba! Ele ficou com meu pai (marido em curso), achei melhor assim (a pediatra só libera shopping depois dos 6 meses). Fui com minha mãe e minha tia. Foi daqueles programinhas bobos e simples que amo fazer!
Ontem, na aula, aprendi que existem três "ambientes" para transitar: privado, doméstico e público. Este último é onde está o trabalho/emprego. O doméstico, obviamente, é a casa com seus afazeres. E o privado, ai o privado!!!! Que saudades dele!!! É exatamente este que não visito há muito tempo. E hoje, foi minha escapadinha ao privado!
Como a aula era sobre liderança e mulher e a professora disse que não há como liderar quem não conhece a si mesmo, fizemos uma avaliação das áreas pessoal, social, familiar, profissional e espiritual, determinando qual grau de importância e quanto de energia investimos em cada uma delas. Escrevemos objetivos, recursos e instrumentos para alcançá-los e barreiras que atrapalham. Foi interessante, mas nada surpresa, descobrir que tenho investido mais em família e trabalho e quase nada no pessoal e espiritual. Meu momento "privado" tem se limitado a um banho corrido e o espiritual a orações rápidas do tipo "Deus, faz esse menino parar de chorar!"
Eu gosto bastante destas auto-avaliações e de colocar no papel estratégias para ser melhor e tal. Mas as coisas que coloco no papel geralmente ficam muito mais fáceis e atrativas do que na real. Como já sei desta minha tendência, decidi ser mais simples e realista. Por exemplo, não custa nada deixar o pequeno com os avós para dar uma volta com o marido, e faz um bem danado! Também é muito fácil utilizar o momento da mamada para orar e meditar.
Acho que começar com estas duas, já está bom! Ah! Além disso, antes da aula de ontem eu fiz uma "promessa" comigo mesma de não gastar dinheiro com coisas "extras" por 4 meses, a começar em primeiro de abril!!!! Hahahahaha! Piadas à parte, a decisão é totalmente verdadeira e estou firme nela.
Vamos ver se consigo me reequilibrar! Estou numa fase muito otimista, satisfeita com o trabalho (coisa muito incomum para mim) e, apesar das dificuldades inerentes ao cargo, muito feliz por ser mãe!!! Então, acho que vou conseguir estas três coisas facilmente! Vamos ver! Afinal, dormir pra quê?!
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