terça-feira, 25 de março de 2014

Driblar a ansiedade e ter um sentido na vida

Diário
Estou há mais de uma semana na casa dos meus pais, que estão viajando. Estava desacostumada com o barulho e o trânsito de São Paulo, mas gosto muito de como acontecem coisas aqui! Na realidade, aqui elas acontecem, lá no interior, não!!! Quer dizer...não por 24 horas como nas cidades grandes. Estou receosa com meu retorno para casa. Sei que vou sentir falta da agitação daqui. Sei também que consigo me readaptar fácil. Mas terá de novo um custo.

Estabilidade e rotina é tudo para bebês, crianças e bipolares! Estou em uma fase onde nada é definitivo. Este é um dos motivos pelo qual o Pedro está fora da escola. E com esta situação, eu estou surpresa pelo meu humor estar tão tranquilo! Ando um pouquinho ansiosa, mas não o suficiente para me desestabilizar.


Reflexões extras - a internet te deixa ansioso?
Estou sem acessar o facebook (minha página pessoal, exceto messenger e páginas profissionais) há 25 dias. Ficar rolando a tela, lendo sobre a vida dos outros, aumentava a minha ansiedade. E eu fazia isso o tempo todo. Especialmente enquanto estava em casa, para me manter "em contato" com outras pessoas. Hoje estou só acompanhando o Instagram. Mais tranquilo!
Você também sente que acessar redes sociais te deixam ansioso?


Reflexões extras - você tem um objetivo de vida?
Estou lendo alguns livros. Dois sobre maternidade e um sobre ter um sentido na vida (não concluí, mas cheguei bem próximo do final!). Há semanas não consigo parar para ler. Mas este último, indicado por uma leitora daqui do blog, tem mudado minha vida. Ele foi escrito por um psicólogo que foi prisioneiro em Auchwitz. Ele fala uma coisa que eu já sabia, mas acho que pelo jeito que ele passou a mensagem, me impactou mais. Sabe quando você vê uma cosia todos os dias e, de repente, um dia você realmente a enxerga? Então! Foi assim! E neste livro o autor fala sobre a diferença das pessoas que vivem sendo pautadas por um propósito/sentido das que "vivem por viver". E ele escreveu a partir da experiência dele no campo de concentração, onde percebeu que pessoas que tinham um propósito, mesmo em meio ao sofrimento, sobreviviam mais do que as que não tinham. E eu tenho replicado esta mensagem para um monte de gente, até que ontem me dei conta de que não sei ao certo qual propósito da minha vida. Não consigo pensar em um objetivo...Hoje vivo pelo Pedro. Mas preciso de algo além, afinal, daqui a pouco tempo ele crescerá e não precisará mais de mim...


Deixo estas duas reflexões para vocês. Espero chegar em alguma conclusão em breve!

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Livros:

1. É o seu filho, não um hamster - Kevin Leman - Ed. Mundo Cristão
2. O poder da mãe que ora - Stormie Omartian - Ed. Mundo Cristão
3.Em busca de sentido - Viktor Frankl (é só colocar no google que tem link para baixar em doc)




domingo, 19 de janeiro de 2014

Quando ter o segundo filho

Gostaria muito de ter um segundo filho. E mesmo tendo medo de diversas coisas que envolvem ser mãe pela segunda vez, me preparei para isso. Quando passei com a psiquiatra tive uma boa notícia: hoje já existem estudos suficientes que demonstraram que a lamotrigina é compatível com a gestação. Mas mesmo assim, decidimos que nos três primeiros meses da gravidez eu ficaria sem tomar o medicamento. Por precaução. Então, suspendi o método contraceptivo e comecei a diminuir a medicação, 25mg por semana. Isso tudo morando na casa nova provisória (estamos em uma casa no interior que não é nossa, até decidirmos se aqui é um lugar bom para morarmos).

Que ideia boa a minha, não? Quer testar uma pessoa, faça ela passar por diversas mudanças ao mesmo tempo. De preferência, na época de férias do filho. Perfeito para dar errado…

Com relação à nova moradia, e às caixas de coisas que só vamos desempacotar na nossa casa definitiva, eu estava já me conformando. Meu humor estava ok. Consegui guardar nossas roupas. Ajeitar nosso quarto e o do Pedro com os móveis que trouxemos do apartamento. Nossas coisas de cozinha continuaram encaixotadas, já que a cozinha aqui está totalmente montada. A cidade nova é muito gostosa. O lugar onde moro também é muito tranquilo, com bastante verde. O que ajuda a me deixar mais calma. Já encontramos algumas opções de restaurantes em conta para fugir um pouco da cozinha. Tudo indo razoavelmente bem, até o Pedro e eu termos juntos crises de tpm.

Depois de um mês sem remédio e sem anticoncepcional, minha menstruação atrasou. E bem nesta época paciência passava longe da nossa casa. O Pedro estava em uma fase horrível de birra. Não queria comer direito, não obedecia. Estava super irritado. E eu também. Cada dia mais. Ainda com a possibilidade de estar grávida. Teve um dia que fui na cidade trocar pneus do carro e resolver coisas do banco. O Pedro com toda a sua energia e birra, me estressou no banco enquanto eu tentava registrar senha nova para o cartão. Não parava quieto correndo. Quando coloquei ele no balcão, para controlá-lo um pouco, ele quis digitar as senhas dele, enquanto eu tentava alterar as minhas, até que conseguiu quebrar uma parte do leitor de cartão. Depois de outras birras, voltamos para a casa, fim de um dia que para mim pareci ter tido muito mais que 24 horas. Ele dormindo e eu chorando, em crise de "não presto"…

Pelo menos meu marido estava em casa para nos receber. Me acalmei com ele e decidimos esperar um pouco mais ter outro filho. Eu não estava grávida! \o/ Vamos esperar pelo menos decidirmos a nossa casa de verdade.

Entendo que engravidar foi uma decisão boa, mas em um momento errado.

Agora é replanejar o ano. Voltar com a medicação e estabelecer um prazo para decidirmos sobre a nova casa. Não quero esperar muito para ter outro filho. Me angustia pensar em passar por tuuuuuudo de novo: choros, birras… mas passa e vale a pena (meu novo mantra)!


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Que tal um amigo para te ajudar a alcançar seus objetivos?

Tenho vários projetos legais na minha mente. Tenho tudo para realizá-los. Mas não tenho feito nada para colocá-los em prática.

Me convenço de que quando eu estiver na nova casa farei. Por que lá o ambiente é melhor, minha cabeça funciona melhor, e blá blá blá... Problema de bipolar? Sim, mas não só. Muitas pessoas não bipolares procrastinam. Talvez os bipolares tenham maior tendência por perderem o interesse facilmente nas coisas.

Daí eu estava pensando em escrever sobre isso, mas não queria um post deprê do tipo "não presto", "não consigo" etc. Então cheguei a um bom ponto: amizades. Tenho ótimos amigos que me incentivam. São poucos, mas sei que são suficientes. Sabe aquele amigo que pode ser chato com você sem que você queira tirá-lo da sua vida? É este que pega na mão e ajuda a caminhar.

Vi um post hoje sobre as pendências que ainda temos de 2013, no Blog Vida Organizada, e tive uma boa ideia! Que tal fazer esta lista e compartilhar com um amigo?

Vamos resolver as pendências de 2013, colocar as ideias em prática para fazer uma listinha linda de novos passos (ou novos projetos) para 2014!

Desejo que vocês tenham ótimos amigos sempre ao seu lado!

Muito obrigada aos meus! Preparem-se que vou incomodá-los! ;)


sexta-feira, 25 de outubro de 2013


Todo cantinho que um dia se transforma em "nosso cantinho", com nosso cheiro e nossa cara, carrega lembranças mil! Como já comentei por aqui, vamos nos mudar para o interior de São Paulo. A princípio, não sabíamos se deveríamos alugar ou vender o apartamento. Pedimos a Deus orientação e surgiu uma compradora, sei que anunciássemos nada, visitou somente o nosso apartamento, gostou, gamou e assinou o contrato! É muito confortável quando não forçamos uma situação. Esta foi extrema, eu sei! Mas quando as coisas têm de acontecer, acontecem independente da nossa ação.

Este apartamento tem muita história! Muitas lembranças boas que gostaria de deixar registradas aqui.

Montamos o apartamento aos poucos, conforme o dinheiro permitia. Mudamos para cá em 2007 somente com o colchão e as roupas! Estreamos o apartamento com os amigos sentados no chão, comendo pão com presunto e queijo em uma sexta-feira à noite! Dois deles, a Nina e o Phê, dormiram aqui. Ela em um colchão no quarto do Pedro (sobre cimento batido como todos nós!) e ele em uma poltroninha-cama um tanto desconfortável, na sala. Raiou o dia o coitado acordou com a luminosidade na cara! No dia seguinte meu pai emprestou uma mesinha e quatro cadeiras, o J e o Phê compraram varão e cortina de banho! Compramos uma feijoada a almoçamos com nosso saudoso amigo Ross. A geladeira, dada de presente pelos meus avós, chegou na primeira semana. Tínhamos emprestado dos meus pais um microondas. Logo depois, chegou o fogão. Pronto! Casa montada!

Nosso armário da cozinha eram duas fruteiras, daquelas de carrinho, e algumas caixas. Nos banheiros consegui, dois gaveteiros sequestrados dos meus pais para colocar nossas toalhas e apetrechos de higiene. E o sofá, bem pequeno, tinha vindo da avó. Depois, ela mudou de novo de sofá. Assim herdamos um um pouco maior e que virava cama, podendo abrigar as visitas mais confortavelmente!

Foi aqui onde aprendi a ser família. Aprendi a cuidar da casa, a mantê-la em funcionamento e a transformá-la em um lar. Planejei cada cantinho. Os armários que temos eu escolhi a dedo cada nicho. Compramos conforme o dinheiro permitia. Coloquei tecido na parede da sala, reformei uma mesa da minha avó, encapei o balcão improvisado pelo meu pai, com contact, imitando um tabuleiro. Acho que o apartamento ficou montado (armários, mesa, cadeiras, sofá e rack, além dos eletrodomésticos) depois de dois anos. Como uma amiga minha diz, se você muda para uma casa toda mobiliada, tem só uma festa de inauguração, se monta aos poucos, tem várias: uma para inaugurar a mesa de jantar, outra para inaugurar armários, outra para sofás...rs

Aqui entendi a crise dos 7 anos (estamos fechando o sétimo ano de casados em novembro). Adoro a explicação que vi em algum lugar na net: esta crise é simplesmente causada pela deterioração do material. As paredes já estão sujas, as portas dos armários desreguladas, lâmpadas queimadas, pequenos reparos esquecidos...Daí acaba o glamour de casinha nova, não? E começam as brigas! Pior que meu marido segue a filosofia do Zeca Pagodinho: "Mulher! Eu não trabalho em casa!".

Foi aqui também que abriguei um cãozinho pulguento doente que achei na rua, o famoso Banner (marido publicitário que deu o nome...#vergonha). Foi para este apartamento que trouxe meu pequeno, minúsculo Pedro, recém saído da UTI. O quartinho dele foi feito a 10 mãos, que colaram tecido xadrez verde claro em meia parede. Depois, penduramos quatro quadros (Zebra, Leão, Macaco e Girafa).

E foi aqui que tive as piores crises de depressão e de descontrole emocional. Foi aqui onde aprendi, e ainda aprendo, a manter uma convivência harmoniosa, manter um lar acolhedor, para todos, especialmente para o Pedro, mesmo em crise. Ou seja, foi aqui que aprendi a deixar ele alguns instantes, para tentar me acalmar e só então, voltar para ele.

Um lar é construído de pessoas, não de coisas. E eu estou me mudando com meu lar e sei que será uma nova fase, com muita novidade, renovação, ar livre (ótimo para eu aquietar minha mente) e desafios.

Desejo que os próximos moradores construam ótimas lembranças, construam família, construam laços, independente das coisas que terão aqui dentro!

Deixo vocês com algumas imagens deste cantinho!

Detalhe no banheiro

Pia com espelho só apoiado

Galeria de arte do Pedro (ele que pediu)
Quadro de recados e relógio na cozinha

Painel de fotos & lembranças

Porta-chaves feito pela minha mãe e adesivo na caixa de luz

Flores recortadas em contact

Meu xodó! Fica na sala onde deveria ter um buffet!
Mesinha na lateral do sofá. Detalhe para o tecido na parede! <3 td="">


Balcão entre cozinha e sala. Detalhe para o tecido na parede e o contact no balcão















terça-feira, 17 de setembro de 2013

Mudança de casa

Estamos de mudança. Mudança de casa mesmo. Vamos para outra cidade, pertinho de São Paulo, tentar uma vida mais calma, mais barata e com mais verde. Já comecei a empacotar algumas coisas. Já escolhi uma escola para o Pedro. Ou seja, realmente tudo caminha para que a mudança seja em dezembro.

Novidades dão uma pilha legal para mim! Amava aqueles cadernos com as folhas lisinhas do início do ano escolar. E o cheiro de plástico do estojo de lona novo! E a ansiedade gostosa da expectativa de novos colegas. Eu curtia muito estas fases. Ainda curto! Estou animada com a mudança, mas vai ser um tanto diferente destas novidades da infância.

Vamos morar na casa que minha família já tem lá. Ou seja, não tem a nossa cara. No entanto, vamos tentar maquiá-la para que fique. Conforme nos adaptarmos por lá, decidiremos se vendemos o apartamento. Caso a gente venda, construiremos a casa com a nossa cara. Mas até lá...

A coisa que mais pega com esta mudança é que eu temo não me sentir em casa lá. O fato de eu ficar sozinha já está praticamente resolvido pois estou com um projeto com uma amiga que me ocupará bastante tempo. E já conheço umas quatro famílias que moram por lá. Sendo que destas quatro, duas sei que não teriam problemas em me receber repentinamente no meio da tarde (me imagino chegando com um bolo na mão, implorando por companhia!!!).

Mas para tudo existe uma estratégia. A casa tem três quartos, dois em cima e um em baixo. Os meus pais dormem no de cima, quando vão aos finais de semana, E a gente, nós três, no outro quarto no mesmo andar. Tem uma suíte no andar de baixo. Daí o dilema de ficarmos em baixo e o Pedro em cima...Ou os três no mesmo quarto...Mas, felizmente, meus pais se ofereceram para mudar para baixo. Então, acho que conseguiremos mobiliar e decorar nosso espaço de forma bem pessoal. Isso já vai ajudar. Parece bobeira, mas estava me consumindo (achei que meus pais não aceitariam mudar de quarto). A outra ideia é montar o cantinho do Pedro na sala e encher a casa com porta-retratos. Espero que funcione!

E se não funcionar, apelo para esta outra estratégia! :-)

fonte: Facebook

sábado, 27 de julho de 2013

Crise e fé

Um pensamento recorrente que tenho é "até quando vou suportar viver sendo eu mesma?". Coisas pequenas e idiotas muitas vezes são como uma gota no meu cérebro, causando ondas e mais ondas de pensamentos caóticos que me levam a fazer este questionamento.

E estas gotas podem ser desde uma simples discussão com o marido até uma grande crise sobre emprego. Em todos os casos as ondas que se formam seguem o raciocínio (i)lógico: sou incapaz; não sirvo para nada; vou ser sempre assim; não tenho futuro; que vida é essa?

Nunca pensei em tirar a minha vida. Não faria isso. Mas penso no meu futuro com medo.

Ao mesmo tempo, consigo perceber o quanto sou capaz, o quanto sei rebolar para sobreviver e o quanto sei fazer diversas coisas, inclusive profissionalmente. E sobre esta última sei mesmo, pois realizei trabalhos excelentes em marketing, em fisioterapia do trabalho e em pesquisa científica. E também sei que sou uma mãe e esposa dedicada.

Desculpe-me os não bipolares, que talvez não entendam este desabafo, mas acho que só nós entendemos esta dicotomia de pensamento. Só nós conseguimos saber o que é este sofrimento.


Update em 30/07/2013:
Graças a Deus , em quem confio, que me dá esperança para superar estas fases. Tenho fé que Ele cuida de mim e tem poder para mudar minha mente, meus pensamentos. Eu acredito também que não foi sacanagem de Deus eu ser bipolar. Ele não dá nada além do que a gente possa suportar. A cada crise superada, vejo o cuidado dEle comigo. Pois Ele capacitou psicólogos e psiquiatras para nos ajudar, deu inteligência aos homens para fabricar os remédios, me ajuda a me conhecer cada dia mais e é um refúgio para minha mente em momentos de depressão. Não é fácil, mas quando eu persisto em ficar em oração nas crises, Deus me dá paz. Ele que coordenou cada célula quando eu ainda estava no útero da minha mãe. Ele me conhece mais do que ninguém. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

(Não) culpa ao retornar da licença maternidade

Estava zapiando em uma página de empregos e uma vaga me chamou a atenção. Mas, para variar, exigia formação em jornalismo. Era uma vaga para redação + redes sociais. Além de enviar o currículo, era necessário enviar um texto sobre "culpa que as mães sentem quando têm de sair da licença maternidade e voltar ao trabalho". Sei que não tenho chance para a vaga, não sou jornalista, mas me coloquei como desafio escrever sobre o tema, com uma pequena variação!

Quando o Pedro tinha uns 7 meses, voltei a trabalhar. Foi o meu primeiro emprego na área de "digital". Eu fazia um pouco de tudo. Auxiliava no planejamento dos aplicativos; fuçava alguns assuntos na internet; escrevia para o blog da empresa; ajudava no gerenciamento de uma conta no twitter e tinha ideias. O trabalho era das 10h às 19h, a princípio, duas vezes por semana. A minha mãe e a minha tia alternavam no cuidado do Pedro. Pouco tempo depois, acabei indo cinco vezes por semana. Como eu ainda amamentava, eu tinha que tirar leite durante o expediente, pelo menos uma vez, se não a dor era insuportável. Mesmo assim eu não senti culpa (não, eu não sou desnaturada).

Infelizmente a empresa fechou no final de 2011, e eu fiquei órfã. Como ainda não tinha formação na área de comunicação e tinha pouquíssima experiência, demorei mais de um ano para voltar a trabalhar. Aí veio a culpa. Culpa por não ter a qualificação na área que eu desejava. Culpa por não ter começado nesta área mais cedo. Mas depois de ter feito alguns cursos, consegui um emprego, período integral, em uma consultoria de marketing. E nesta época o Pedro já estava na escola. E eu comecei a me sentir "dona do meu nariz" de novo. Me senti capaz. Me senti produtiva. Mas daí (sempre tem um mas) o Pedro passou a ter bronquiolites de repetição, precisando ser internado duas vezes, além das várias idas ao pronto-socorro. Óbvio que ele teve que sair da escola e eu, do emprego.

Você deve estar pensando: agora veio a culpa, não? Bem, o que eu senti foi uma grande preocupação com a saúde dele, que era maior do que qualquer vontade de trabalhar. Mas não me senti culpada pela doença dele. E também não tenho como afirmar que se eu estivesse em casa com ele isso não teria acontecido, até porque ele já havia tido bronquiolite aos 5 meses, quando ainda ficava tempo integral comigo. Depois que saí do emprego, fiquei com ele em casa por 6 meses, tempo em que ele engordou, cresceu bastante e diminuiu os remédios preventivos. Depois, voltou para a escola, meio período (faço alguns freelas de marketing a partir de casa mesmo). Desde então, precisou ir ao hospital uma vez por conta de uma virose, daquelas de não parar de vomitar.

É totalmente normal ficar muito chateada pela separação repentina pela qual a maioria das mães precisam passar quando retornam da licença maternidade. Sou super a favor de estender esta licença quando os pais tem condições financeiras e emocionais para isso. Entendo que o ideal é fazer este processo aos poucos, pois desta maneira tanto mãe quanto bebê sentem menos e se adaptam com maior facilidade e tranquilidade. Mas não gosto dessa cultura de alimentar a "culpa maternal". Não devemos nos sentir culpadas por voltar a trabalhar ou por sairmos com os maridos sem os filhos.

Segundo o dicionário Michaelis, um dos significados de culpa é "Consequência de se ter feito o que não se devia fazer.". Então, se você não tem como cancelar o retorno ao trabalho, não se culpe. Se você não tem como ficar período integral em casa com seu filho por questões emocionais suas, não se culpe. Se culpe se você não der atenção ao seu filho quando ele estiver com você. Se culpe se você não se esforçar para ter este tempo com ele. Se culpe se você negligenciá-lo de qualquer maneira, pois presença de mãe, ninguém substitui.