Já faz um pouco mais de uma semana que não estou trabalhando oficialmente no escritório da família. Digo "oficialmente" pois pelo menos duas vezes por semana passo lá, que é ao lado de onde faço Pilates e acabo fazendo alguma coisa. Mesmo assim, o tempo em casa tem sido maior e, consequentemente, o tempo para pensar, também tem sido maior.
Minha intolerância voltou. Estou apática e meio ranzinza. Acho que pode ser pelo fato de eu estar na reta final da gravidez mesmo. Mas, junto com isso, estou pensando demais em como eu poderia já ter uma profissão onde eu me realizasse e um trabalho, registrado, com horário, bom salário e afins. E isso é como uma ferida para mim, e hoje ela está bem aberta e eu, cutucando.
Meu maior sonho hoje é ter uma profissão e um emprego que me realize. Óbvio que espero receber um bom salário. E até acho que já virá com o pacote. Tenho boas expectativas quanto à minha mudança de área. Queria ganhar o suficiente para que, junto com o meu marido, pudéssemos pagar as contas, sair para jantar, viajar, coisinhas banais que hoje são improváveis ou à base de dívidas no cartão de crédito.
Hoje digo que me arrependo pela minha escolha profissional. Não me arrependo pelo caminho por onde ela me levou pois aprendi muito, conheci muita gente legal, e, com certeza, esse processo teve muita influência em tudo o que acontece hoje na minha vida, de bom também. Mas me arrependo por não ter pensado um pouco mais antes de decidir. Talvez se eu tivesse parado para perguntar para os meus familiares o que eles achavam, eu não teria ido para fisioterapia, e sim, para área de comunicação. Sempre tive inclinações para esta área. Me frustro hoje de pensar que podia estar muito melhor, até psicologicamente. Se arrependimento matasse, eu já estava esturricada em um caixão há pelo menos 5 anos.
Pelo menos, consigo fazer planos. Mesmo com o Pedro vindo aí, tenho certeza de que é possível recomeçar a minha vida profissional. Já sei que, mais uma vez, poderei contar com a ajuda dos meus pais para bancar os estudos. Graças a Deus por eles! Peço todo dia que Deus os guarde e abençoe. Sei o tesouro que tenho, e não estou falando só por eles me ajudarem financeiramente. Mas preciso fazer tudo com muito mais cautela e segurança. Aos 28 anos, querendo realmente voltar ao mercado de trabalho, não dá pra "errar" de novo.
Tenho a impressão de estar no caminho certo. No próximo final-de-semana farei mais um curso na área de comunicação. Cada dia amadureço mais a ideia da nova profissão na minha mente. Estou ansiosa para poder cursar a faculdade e aprender mais ainda. Apesar do medo de ter um trabalho, e não dar conta, não vou desistir. Pode parecer medíocre, mas realmente meu maior sonho é ter um emprego. É ser uma pessoa como as outras, que acorda cedo, se veste e vai trabalhar feliz! Sei que o trabalho terá os momentos chatos, mas se estes momentos forem do trabalho, não me importo. Ter um compromisso assim e conseguir honrá-lo, para mim, não tem preço.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
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