A decisão de fazer uma nova faculdade me motivou, não só a estudar para o vestibular, mas também a aprender mais sobre a área para ter certeza da escolha que estou prestes a tomar. Uma amiga muito querida, Yara Achoa, que é jornalista, me indicou o livro
"A vaga é sua" da Ana Estela Pinto e Cristina de Castro, que fala exatamente sobre o mercado de trabalho do jornalismo e tudo o que envolve o processo para estar nele. Aproveitei o feriado que passou para ler este livro. Fiquei com algumas dúvidas no caminho e resolvi enviar um email para a escritora Ana Estela, que produz o blog
Novo em Folha. A Ana logo respondeu às minhas duvidas, fez com que eu criasse outras, e pediu a autorização para publicar meu email e sua resposta no blog. Concordei.
Hoje, retornei ao blog e notei que haviam cinco comentários sobre o post do meu email. Um me chamou bastante atenção pois me atingiu profundamente. Segue o que a leitora escreveu: "Sérião: ter um blog e ser jornalista é uma coisa diferente pra caramba. Será que a Juliana não tá confundindo um pouco não? Tem hora na profissão que a última coisa que vc vai se preocupar é com a escrita e faz aquilo até de forma mais banal..." Pode parecer bobeira, mas meu coração disparou e me senti um tanto ofendida. Respondi (não vou lembrar exatamente as palavras, e ainda não foi publicado) que não estava confundindo, que sabia que eram coisas diferentes, e comentei que como fisioterapeuta também escrevia bastante, já que trabalhei com pesquisa centífica, cujo objetivo principal é a publicação de um artigo, ou seja, se for só para escrever, a fisio me basta. E, aproveitei para questioná-la sobre o jornalista acabar se preocupando por último com a escrita e fazê-la de forma banal...
Li e reli meu comentário diversas vezes. Não queria passar a imagem de que queria discutir, mas achei necessário me posicionar sobre o assunto, já que outras pessoas poderão ler o post e o comentário dessa pessoa. Achei "instrutivo" colocar a minha posição, pois afinal, outras pessoas na mesma situação que eu podem consultar o blog e ter dúvidas sanadas por estes comentários.
Mas, confesso, meu coração ainda está batendo forte. E, como estou em uma fase de analisar friamente todos os meus sentimentos (ficar sem remédio me fez começar a fazer isso) para tentar perceber se vou entrar em depressão ou surtar, fiquei questionando se fazia sentido um comentário assim causar tamanha reação. E, claro, cheguei a uma conclusão: estou fazendo a mesma pergunta que a leitora fez, para mim mesma. Será que estou confundindo este blog com jornalismo? Será que penso que jornalismo é ter esse prazer em escrever?
O livro da Ana e da Cristina mostra claramente que ser jornalista não é nada parecido com postar uns dois textos por semana sobre um assunto que super te interessa, sem nenhuma cobrança ou pressão. Sei também que se realmente decidir seguir essa carreira vou ser obrigada a escrever o que outros quiserem, e não o que eu desejar ou o que estiver na minha mente. Tenho certeza que terei momentos de pavor por causa da pressão e da cobrança e sei que posso até travar e ter "brancos mentais". Sou bipolar, sei muito bem o que é surtar!
A minha vida até aqui não foi difícil e escolher ser jornalista irá complicá-la em muito. A única pressão que tinha eram os prazos de relatórios do laboratório e da consultoria em ergonomia, somente ao final dos trabalhos, não diariamente. Hoje, não tenho pressão nenhuma. Só poderei defender o mestrado no ano que vem e ergonomia e gravidez não combinam (meu trabalho era o dia todo em pé). O que me sustenta hoje é meu trabalho na empresa da minha mãe, onde faço meus horários, sem nenhum superior.
Ou seja, burrice a minha querer trabalhar como jornalista? Ou será que realmente amadureci algumas idéias na minha cabeça e depois de muito pensar percebi que esta seria uma profissão que por mais que eu rale sei que chegarei em casa à noite (ou de manhã depois de um plantão) cansada de corpo, alma e mente, mas satisfeita por fazer algo que amo?
Deixo agora esta questão para fazer meu coração acelerar. E estou pensando seriamente em voltar para a terapia...